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Tráfego Pago8 min de leitura

Tráfego pago para advocacia: o que a OAB permite e o que funciona

Como estruturar aquisição paga em escritórios sem cruzar a linha do Código de Ética.

Lucas Mancuso

Lucas Mancuso

29 de agosto de 20268 min

Toda banca que chega até nós faz a mesma pergunta, com palavras diferentes: dá para anunciar sendo advogado? A resposta curta é sim — mas o que se pode anunciar, e como, tem limites que não existem em nenhum outro setor. Ignorar isso não é um risco de marketing, é risco disciplinar.

Este texto é sobre como estruturar aquisição paga em escritórios de advocacia sem cruzar a linha que o Código de Ética traça.

O que a norma permite, e o que ela veda

O marco atual é o Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB, que substituiu regras de 2000 e reconheceu, enfim, que advogado atua na internet. Ele autorizou o que na prática já acontecia — perfis profissionais, conteúdo informativo, presença digital — e manteve a barreira central da profissão.

O que passou a ser permitido

  • Publicidade informativa sobre a atuação, áreas de atuação e produção intelectual do escritório
  • Impulsionamento de conteúdo informativo, incluindo anúncios pagos
  • Marketing jurídico orientado a construir autoridade e reputação

O que continua vedado

  • Mercantilização — anunciar preço, promoção, parcelamento ou qualquer oferta que trate o serviço como mercadoria
  • Captação de causa — abordar quem está vivendo um problema jurídico específico oferecendo representação
  • Promessa de resultado — "ganhe sua causa", "receba seu benefício", "100% de aprovação"
  • Uso de termos que sugiram infalibilidade ou comparação com outros profissionais
A diferença entre publicidade permitida e captação vedada está na iniciativa. Informar quem procura é publicidade. Abordar quem não procurou é captação.

Por que tráfego pago funciona bem para bancas

Serviço jurídico tem uma característica rara: a demanda é involuntária e datada. Ninguém acorda querendo contratar um advogado — a pessoa é empurrada por um evento. Uma demissão, um inventário, uma notificação, uma separação.

Isso significa que a pessoa vai buscar. E quando busca, busca com intenção altíssima e janela curta. É exatamente o cenário em que mídia de busca performa melhor do que qualquer outro canal.

Duas pessoas em reunião de trabalho analisando documentos sobre uma mesa
A decisão de contratar um advogado quase nunca começa no anúncio — começa num problema.

Onde investir, e o que esperar de cada canal

CanalMelhor usoCuidado principal
Google SearchCaptura de demanda ativaTermos que sugerem promessa de resultado
Meta AdsAutoridade e conteúdo informativoSegmentação por evento de vida beira a captação
LinkedInDireito empresarial e B2BCusto por clique alto exige oferta madura
YouTubeConteúdo educativo de cauda longaRetorno lento, some no relatório mensal

Para a maioria das bancas, busca resolve. A pessoa digita o problema, encontra um escritório que explica o problema com clareza, e entra em contato. O anúncio não convence ninguém — ele apenas coloca a banca na frente de quem já decidiu procurar.

Vale estruturar as campanhas por área de atuação, nunca por "advogado" genérico. A documentação do Google sobre correspondência de palavras-chave é leitura obrigatória antes de subir a primeira campanha: correspondência ampla em direito é dinheiro queimado.

Meta: útil, mas pelo caminho mais longo

No Meta a pessoa não está buscando advogado — está rolando o feed. O que funciona ali é conteúdo que educa sobre um direito que a pessoa não sabia que tinha, e leva para material aprofundado. É construção de autoridade, com retorno em meses.

As métricas que realmente dizem alguma coisa

  1. Custo por consulta agendada — não por lead. Lead que não comparece não é lead
  2. Taxa de comparecimento — o furo mais comum: a agenda enche e ninguém aparece
  3. Taxa de conversão consulta → contrato — mede a qualidade do que o anúncio atraiu
  4. Ticket médio por área — sem isso não dá para saber onde investir mais
  5. Prazo de retorno — causas longas descolam o caixa do investimento em meses

Quatro erros que vemos com frequência

Anunciar para todo mundo. Um escritório que faz trabalhista, família e previdenciário não pode ter uma campanha só. São três públicos, três urgências, três valores.

Mandar tráfego para a home. Quem busca pensão alimentícia precisa cair numa página sobre pensão alimentícia — não numa página que lista dez áreas de atuação.

Terceirizar o atendimento sem treinar. O melhor anúncio do mundo morre num WhatsApp respondido em seis horas.

Copiar a comunicação de e-commerce. Urgência artificial, contagem regressiva e desconto não só destoam — são vedados.

Por onde começar

Se a banca nunca investiu, o caminho mais seguro é: escolher uma área de atuação, construir uma página que explique aquele problema melhor que qualquer concorrente, e subir uma campanha de busca pequena e bem segmentada. Medir por três meses. Só então expandir.

Tráfego pago não cria demanda por serviço jurídico. Ele coloca o escritório na frente de quem já tem o problema — e, quando bem feito, faz isso dentro do que a profissão permite.

Lucas Mancuso

Lucas Mancuso

CEO da Veritatem

Fundador da Veritatem. Trabalha com aquisicao paga e estruturacao comercial para empresas que precisam de previsibilidade de vendas, do primeiro clique ao contrato fechado.

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